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O PATRIMÔNIO DE UM POVO
A descrição viva da história de um povo, dá-se através de seu patrimônio edificado, pois faz-se necessário que o homem se reconheça na cidade onde vive.
No decorrer dos tempos, tendo como justificativa o progresso, convivemos com a dinâmica de construir, destruir e reconstruir, devido a condicionantes geográficos, sociais, culturais, sem levar em conta que, desta forma estamos destruindo a identidade e a memória de um povo.
O potencial paisagístico do centro do Rio Grande, está expresso em suas ruas e calçadas estreitas e no seu traçado xadrez, típico da colonização portuguesa.
Seus casarios possuem grande beleza arquitetônica, postes e lampiões em ferro, pavimentações de granito em paralelepípedos e pedras irregulares, passeios públicos com mosaico português e ladrilho hidráulico que forma grandes tapetes, limitando propriedades.
Tudo isto, embora faça parte do dia-a-dia do rio-grandino, muitas vezes passa desapercebido.
A preocupação com o Patrimônio Cultural do Rio Grande, expressa-se pela primeira vez de forma oficial em 1937, com o tombamento em nível federal da Catedral de São Pedro e da Capela da Ordem Terceira de São Francisco e, em 1967 com o tombamento do prédio da Alfândega.
Medidas estaduais, também são tomadas no ano de 1986 como o tombamento em nível estadual, da Casa dos Azulejos, da Prefeitura Municipal e do Hotel Paris e, no ano de 1990 o tombamento do prédio do Antigo Quartel General.
Na década de 80, quando da elaboração do Plano Diretor do Município, buscou-se através de estudos e incentivos conscientizar e mostrar a importância de se possuir uma CIDADE HISTÓRICA.
O município, através do Plano Diretor e Leis Complementares, classifica as edificações de interesse sócio-cultural, concedendo benefícios aos proprietários para que sejam preservadas, estando os armazéns do Porto Velho e o Cais de Saneamento, incluídas nesta legislação.
A área em estudo é classificada pelo plano como Área Funcional, devido as suas peculiaridades, podendo ser classificada como Área Funcional de Interesse Paisagístico e Cultural.
A preservação e o controle sobre o uso e ocupação do solo nesta área, busca conservar o que resta para testemunhar a evolução da cidade e sua história.
Como Área de Preservação Cultural, devemos sempre levar em conta a preservação da Paisagem Urbana, assegurando também a preservação e valorização do patrimônio natural.
Estes locais também estão inseridos na área formada pela poligonal que constitui o entorno dos monumentos tombados que busca proteção da ambiência do bem tombado, valorizando sua visão e sua compreensão no espaço urbano.
Qualquer interferência nesta área, deve levar em consideração além do entorno de ambientação, visando a harmonia, a conservação e a valorização do local, promovendo a cultura, a conservação do patrimônio ambiental urbano e compatibilizando seus usos com os das áreas vizinhas.
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